O Cego e a Criação

(Mensagem pregada na reunião do conselho do dia 09/02/2010, pelo Pr. Wilson)

Texto bíblico: João 9:1-7

Introdução

Acredito que o texto bíblico em pauta nos dará uma nova visão do nosso ministério pastoral, a partir de uma perspectiva diferente.

Considerações iniciais

Gostaria de começar dizendo o que eu acredito que Jesus não disse:

1) Ele não disse que o cego não tinha pecados
2) Ele não disse que os pais do cego não tinham pecados
3) O mais importante: Ele não disse que o pecado dos pais ou de alguém no passado não tinha nenhuma relação com aquela situação.

Jesus sabia que o pecado sempre está na base de todos os problemas, seja de forma direta ou indireta. Nos exemplos abaixo veremos isso:

“Mais tarde, Jesus o encontrou no templo e lhe disse: Olha que já estás curado; não peques mais, para que não te suceda coisa pior.” (João 5:14 RA)

“Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Filho, os teus pecados estão perdoados.” (Marcos 2:5 RA)

Mas então por que Ele disse: nem ele pecou nem seus pais? Creio que Jesus quis que os discípulos tivessem o foco em outra questão, que não fosse o pecado. Esse foco deveria estar na ORIGEM DE TODAS AS COISAS – A CRIAÇÃO.

Os discípulos não poderiam ver os homens a partir de Gênesis 3 (pecado), e sim, a partir de Gênesis 1 (origem perfeita de todas as coisas).

Há 4 evidências de que Jesus queria que os discípulos olhassem para a origem de todas as coisas:

1) AS OBRAS – “Respondeu Jesus: Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus.” (João 9:3 RA)

Fazer a obra de Deus não é tão somente trabalhar para Deus. É acima de tudo trabalhar com Ele para restaurar suas obras originais, dentre elas, a principal: O HOMEM. Então uma boa definição para fazer a obra de Deus, é trabalhar para restaurar a obra-prima de Deus: O HOMEM. É empenhar-se para devolver-lhe a sua dignidade original, perdida por causa do pecado. Se o nosso ministério não está restaurando o homem ao propósito original divino, nosso trabalho está incompleto.

Há uma palavra de Jesus que diz que sua igreja fará as mesmas obras e ainda maiores: “Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai.” (João 14:12 RA)

“o qual nós anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo;” (Colossenses 1:28 RA)

2) FAÇAMOS – “É necessário que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar.” (João 9:4 RA)

A primeira vez que vemos a palavra no plural FAÇAMOS é quando o Deus-trino se propõe a fazer o homem à Sua imagem e semelhança (Gn. 1:26). Há um acordo entre a Trindade para juntos fazerem o homem. Então, quando Jesus diz que é necessário que façamos as obras, não está se referindo, no momento, a Ele e a nós, mas a Ele junto ao Pai e ao Espírito Santo, os mesmos presentes na criação do homem.

Creio que o desafio para a igreja hoje é o de aprender a trabalhar em parceria com o Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo.

“(13-13) A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós.” (2 Coríntios 13:14 RA)

1) O Amor de Deus
2) A Graça do Senhor Jesus Cristo
3) A Comunhão do Espírito Santo

3) A LUZ – “Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.” (João 9:5 RA)

Em meio ao caos de Gênesis 1:2, a Palavra foi liberada: HAJA LUZ.

“Disse Deus: Haja luz; e houve luz. E viu Deus que a luz era boa; e fez separação entre a luz e as trevas. Chamou Deus à luz Dia e às trevas, Noite. Houve tarde e manhã, o primeiro dia.” (Gênesis 1:2-5 RA)

Jesus disse que a Igreja é a Luz do Mundo: “Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte;” (Mateus 5:14 RA). Acredito que as lições sobre a luz estão relacionadas ao prazer que Deus encontrou na Luz chamando-a de boa, e por isso, fazendo separação entre ela e as trevas.

Deus tem prazer na sua Igreja porque ela é LUZ e, por isso, faz separação entre a sua IGREJA e as TREVAS. Se andarmos na LUZ não tropeçamos, e se andarmos na LUZ, temos comunhão uns com os outros e o sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo o pecado.

4) CUSPIU NA TERRA – “Dito isso, cuspiu na terra e, tendo feito lodo com a saliva, aplicou-o aos olhos do cego,” (João 9:6 RA)

Depois de associar com a criação AS OBRAS, o FAÇAMOS, e a LUZ, fica mais fácil entender do porquê Jesus ter cuspido na terra e feito lodo para untar os olhos do cego. Reportando-se à figura da criação, Jesus reproduziu o ato de fazer o homem do pó da terra. Jesus fez de novo. O que o homem viu em sua realidade deformando-se e degenerando-se, Jesus refaz restituindo o homem à condição original.

A igreja não precisa nem deve adotar a doutrina do cuspe na terra para fazer lodo, mas ela deve entender o que isso simboliza: A Igreja deve fazer de novo, sempre tendo como modelo o que o Senhor fez no original. Devemos nos lembrar das palavras de Jesus acerca do princípio:

“Respondeu-lhes Jesus: Por causa da dureza do vosso coração é que Moisés vos permitiu repudiar vossa mulher; entretanto, não foi assim desde o princípio.” (Mateus 19:8 RA)

CONCLUSÃO

A Bíblia dos discípulos começava em Gênesis 3, mas a de Jesus, em Gênesis 1. A nossa também não pode começar em Gênesis 3, porque sempre olharemos para as pessoas a partir do pecado irremediável e fatalista, sem percebermos o poder restaurador que há em Cristo Jesus, capaz de restaurar o homem ao propósito original divino.

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